Palestra ministrada pelo médico psiquiatra Dr. Içami Tiba, em Curitiba,
23/07/08.
O palestrante é membro eleito do Board of Directors of the International
Association of Group Psychotherapy. Conselheiro do Instituto Nacional de
Capacitação e Educação para o Trabalho "Via de Acesso".
Professor de cursos e workshops no Brasil e no Exterior.
Em pesquisa realizada em março de 2004, pelo IBOPE, entre os psicólogos do
Conselho Federal de Psicologia, os entrevistados colocaram o Dr. Içami Tiba
como terceiro autor de referência e admiração - o primeiro nacional.
1º- lugar: Sigmund Freud;
2º- lugar: Gustav Jung;
3º- lugar: Içami Tiba.
1. A educação não pode ser delegada à escola. Aluno é transitório. Filho é
para sempre.
2. O quarto não é lugar para fazer criança cumprir castigo. N ão se pode
castigar com internet, som, tv, etc...
3. Educar significa punir as condutas derivadas de um comportamento
errôneo. Queimou índio pataxó, a pena (condenação judicial) deve ser passar
o dia todo em hospital de queimados.
4. É preciso confrontar o que o filho conta com a verdade real. Se falar
que professor o xingou, tem que ir até a escola e ouvir o outro lado, além
das testemunhas.
5. Informação é diferente de conhecimento. O ato de conhecer vem após o ato
de ser informado de alguma coisa. Não são todos que conhecem. Conhecer
camisinha e não usar significa que não se tem o conhecimento da prevenção
que a camisinha proporciona.
6. A autoridade deve ser compartilhada entre os pais. Ambos devem mandar.
Não podem sucumbir aos desejos da criança. Criança não quer comer? A mãe
não pode alimentá-la. A criança deve aguardar até a próxima refeição qu e a
família fará. A criança não pode alterar as regras da casa. A mãe NÃO PODE
interferir nas regras ditadas pelo pai (e nas punições também) e
vice-versa. Se o pai determinar que não haverá um passeio, a mãe não pode
interferir. Tem que respeitar sob pena de criar um delinquente.
7. Em casa que tem comida, criança não morre de fome . Se ela quiser comer,
saberá a hora. E é o adulto quem tem que dizer QUAL É A HORA de se comer e
o que comer.
8. A criança deve ser capaz de explicar aos pais a matéria que estudou e na
qual será testada. Não pode simplesmente repetir, decorado. Tem que
entender.
9. É preciso transmitir aos filhos a ideia de que temos de produzir o
máximo que podemos. Isto porque na vida não podemos aceitar a média exigida
pelo colégio: não podemos dar 70% de nós, ou seja, não podemos tirar 7,0.
10. As drogas e a gravidez indesejada estão em alta porque os adolescentes
estão em busca de prazer. E o prazer é inconsequente.
11. A gravidez é um sucesso biológico e um fracasso sob o ponto de vista
sexual.
12. Maconha não produz efeito só quando é utilizada. Quem está são, mas é
dependente, agride a mãe para poder sair de casa, para fazer uso da droga .
A mãe deve, então, virar as costas e não aceitar as agressões. Não pode
ficar discutindo e tentando dissuadi-lo da idéia. Tem que dizer que não
conversará com ele e pronto.
Deve 'abandoná-lo'.
13. A mãe é incompetente para 'abandonar' o filho. Se soubesse fazê-lo, o
filho a respeitaria. Como sabe que a mãe está sempre ali, não a respeita.
14. Se o pai ficar nervoso porque o filho aprontou alguma coisa, não deve
alterar a voz.
Deve dizer que está nervoso e, por isso, não quer discussão até ficar
calmo. A calmaria, deve o pai dizer, virá em 2, 3, 4 dias. Enquanto isso, o
videogame, as saídas, a balada, ficarão suspensas, até ele se acalmar e
aplicar o devido castigo.
15. Se o filho não aprendeu ganhando, tem que aprender perdendo.
16. Não pode prometer presente pelo sucesso que é sua obrigação. Tirar nota
boa é obrigação. Não xingar avós é obrigação. Ser polido é obrigação.
Passar no vestibular é obrigação. Se ganhou o carro após o vestibular, ele
o perderá se for mal na faculdade.
17. Quem educa filho é pai e mãe. Avós não podem interferir na educação do
neto, de maneira alguma. Jamais. Não é cabível palpite. Nunca.
18. Muitas são desequilibradas ou mesmo loucas.
Devem ser tratadas. (palavras dele).
19. Se a mãe engolir sapos do filho, ele pensará que a sociedade terá que
engolir também.
20. Videogames são um perigo: os pais têm que explicar como é a realidade,mostrar que na vida real não existem 'vidas', e sim uma única vida. Não dá
para morrer e reencarnar. Não dá para apostar tudo, apertar o botão e zerar
a dívida.
21. Professor tem que ser líder. Inspirar liderança. Não pode apenas bater
cartão.
22. Pais e mães não pode se valer do filho por uma inabilidade que eles
tenham. 'Filho, digite isso aqui pra mim porque não sei lidar com o
computador'. Pais têm que saber usar o Skype, pois no mundo em que a
ligação é gratuita pelo Skype, é inconcebível pagarem para falar com o
filho que mora longe.
23. O erro mais frequente na educação do filho é colocá-lo no topo da casa.
O filho não pode ser a razão de viver de um casal. O filho é um dos
elementos. O casal tem que deixá-lo, no máximo, no mesmo nível que eles. A
sociedade pagará o preço quando alguém é educado achando-se o centro do
universo.
24. Filhos drogados são aqueles que sempre estiveram no topo da família.
25. Cair na conversa do filho é criar um marginal. Filho não pode dar
palpite em coisa de adulto. Se ele quiser opinar sobre qual deve ser a
geladeira, terá que mostrar qual é o consumo (KWh) da que ele indicar. Se
quiser dizer como deve ser a nova casa, tem que dizer quanto isso (seus
supostos luxos) incrementará o gasto final.
26. Dinheiro 'a rodo' para o filho é prejudicial. Mesmo que os pais o
tenham, precisam controlar e ensinar a gastar.
Frase: "A mãe (ou o pai!) que leva o filho para a igreja, não vai buscá-lo
na cadeia..."
terça-feira, 25 de maio de 2010
sexta-feira, 23 de abril de 2010
Bruxas, monstros e morte
A mãe de uma garotinha de quase quatro anos escreveu para contar que estava considerando a possibilidade de tirar a filha da escola. O motivo? A professora conta histórias para as crianças que tratam de morte, falam de monstros, bruxas e de todo tipo de ser imaginário. Para essa mãe, isso gera medo e angústia na filha e, por isso, ela tem pesadelos frequentes. Como nossa leitora não está sozinha nesse tipo de pensamento, vamos conversar a respeito.
Temos feito de tudo para evitar que a criança sofra, não é? Ou, pelo menos, tentamos evitar que elas tenham contato com tudo o que julgamos que pode gerar dor, ansiedade, angústia e outros sentimentos semelhantes. O tema emblemático nesse sentido é a morte. Escondemos a morte das crianças: esse não é mais um tema de conversa entre pais e filhos, elas não mais participam de velórios e funerais, evitamos que assistam a filmes ou ouçam histórias que trazem a ideia de morte à tona.
Conheço uma mãe de duas crianças pequenas que assiste a cada filme infantil antes de seus filhos para averiguar se não há cenas que assustam ou trazem a presença da morte. Ela não deixou os filhos assistirem à animação "Procurando Nemo" porque a mãe do peixinho morre e ela não achou adequado que as crianças fizessem perguntas sobre isso. Consideramos esse assunto muito pesado para elas e, por isso, procuramos poupá-las dele, como se isso fosse possível. É preciso saber que não é.
Não são as histórias com seus enredos e personagens que criam para a criança conflitos, medos e angústias e tampouco apresentam a ela o tema da morte. Essas são questões humanas e, ao contrário do que alguns pensam, os personagens fantásticos e as tramas dessas histórias ajudam a criança a encontrar caminhos para entender e superar, pelo menos temporariamente, o que sente.
A atitude chamada "politicamente correta" de transformar histórias e lendas infantis de modo a subtrair delas o que consideramos que possa fazer mal à criança ou sugerir o que consideramos "maus exemplos" não faz o menor sentido. Será que esquecemos que o que pode fazer mal a elas é o que está presente na realidade do mundo adulto, agora totalmente acessível a elas?
Não é hipócrita não mais cantar "Atirei um pau no gato", mas permitir que as crianças assistam a campeonatos de futebol em que jogadores intencionalmente se agridem para levar vantagem? Não é curioso evitar que elas ouçam histórias de bruxas que perseguem crianças, mas permitir que assistam a noticiários que mencionam assassinatos e abusos sexuais de crianças?
Que as bruxas, os duendes e os monstros, as madrastas malvadas e as crianças órfãs habitem o imaginário de nossas crianças é tudo o que podemos desejar. É que nesse mundo, diferentemente do mundo adulto, elas contam com as fadas e suas varinhas de condão, com os príncipes que salvam as princesas do sono eterno e, principalmente, com um final em que o bem vence o mal.
Categoria: Folha Equilíbrio
Escrito por Rosely Sayão às 13h57
Temos feito de tudo para evitar que a criança sofra, não é? Ou, pelo menos, tentamos evitar que elas tenham contato com tudo o que julgamos que pode gerar dor, ansiedade, angústia e outros sentimentos semelhantes. O tema emblemático nesse sentido é a morte. Escondemos a morte das crianças: esse não é mais um tema de conversa entre pais e filhos, elas não mais participam de velórios e funerais, evitamos que assistam a filmes ou ouçam histórias que trazem a ideia de morte à tona.
Conheço uma mãe de duas crianças pequenas que assiste a cada filme infantil antes de seus filhos para averiguar se não há cenas que assustam ou trazem a presença da morte. Ela não deixou os filhos assistirem à animação "Procurando Nemo" porque a mãe do peixinho morre e ela não achou adequado que as crianças fizessem perguntas sobre isso. Consideramos esse assunto muito pesado para elas e, por isso, procuramos poupá-las dele, como se isso fosse possível. É preciso saber que não é.
Não são as histórias com seus enredos e personagens que criam para a criança conflitos, medos e angústias e tampouco apresentam a ela o tema da morte. Essas são questões humanas e, ao contrário do que alguns pensam, os personagens fantásticos e as tramas dessas histórias ajudam a criança a encontrar caminhos para entender e superar, pelo menos temporariamente, o que sente.
A atitude chamada "politicamente correta" de transformar histórias e lendas infantis de modo a subtrair delas o que consideramos que possa fazer mal à criança ou sugerir o que consideramos "maus exemplos" não faz o menor sentido. Será que esquecemos que o que pode fazer mal a elas é o que está presente na realidade do mundo adulto, agora totalmente acessível a elas?
Não é hipócrita não mais cantar "Atirei um pau no gato", mas permitir que as crianças assistam a campeonatos de futebol em que jogadores intencionalmente se agridem para levar vantagem? Não é curioso evitar que elas ouçam histórias de bruxas que perseguem crianças, mas permitir que assistam a noticiários que mencionam assassinatos e abusos sexuais de crianças?
Que as bruxas, os duendes e os monstros, as madrastas malvadas e as crianças órfãs habitem o imaginário de nossas crianças é tudo o que podemos desejar. É que nesse mundo, diferentemente do mundo adulto, elas contam com as fadas e suas varinhas de condão, com os príncipes que salvam as princesas do sono eterno e, principalmente, com um final em que o bem vence o mal.
Categoria: Folha Equilíbrio
Escrito por Rosely Sayão às 13h57
segunda-feira, 19 de abril de 2010
quinta-feira, 8 de abril de 2010
Muitas crianças sofrem quando se descontrolam, quando fazem o que não poderiam nem deveriam fazer, quando expressam explosivamente seus caprichos, quando se debatem com uma tarefa difícil que precisam cumprir e se perdem no abismo do "eu não vou conseguir, eu não sou capaz", quando transgridem um princípio conhecido e sabem que a consequência de seu ato prejudica alguém.O sofrimento delas fica estampado com tanta clareza que é difícil um adulto não perceber o que ocorre nesse momento.Mesmo assim, a reação de muitos deles tem sido insensível. Já faz um tempo que adotamos a postura de reclamar de comportamentos das crianças, de nos sentirmos vítimas de suas atitudes, de nos fazermos impotentes frente a elas."Eu não aguento mais esse menino!", "Eu já fiz de tudo para ensinar a ela que não pode fazer isso", "Ela não tem jeito", "Essa criança precisa de um castigo muito sério" são frases que ouço pais e professores dizerem com frequência. Pois elas expressam a falta de compaixão e de empatia dos adultos para com as crianças, o que talvez seja uma marca importante de nosso tempo.É preciso buscar novos caminhos para reagir às crianças que experimentam as situações acima, já que, mais do que acusações e reclamações, elas precisam é de nossa ajuda, de nossa intervenção educativa.Em primeiro lugar, é bom lembrar que, como nos ensinou Françoise Dolto -psicanalista que se dedicou a compreender a infância e a adolescência-, quando uma criança reage com violência a uma pessoa ou a uma situação, é porque ela tem lá suas razões, mesmo que não seja possível perceber os motivos que a levaram a se comportar dessa forma.Isso não significa, é claro, que pais e professores não tenham que fazer com que ela arque com as consequências de seus atos e que não a levem a reparar o que fez. Mas ter essa compreensão é fundamental para que seja possível manter a calma e o equilíbrio a fim de não se relacionar com a criança de modo simétrico e, desse modo, perder o lugar de educador.Reclamar de, acusar, julgar e condenar são atos que, em geral, praticamos com quem ocupa posição simétrica à nossa. Fazer isso com crianças mostra que, diante delas, deixamos vago o lugar de adultos.É possível ensinar às crianças o respeito às normas importantes para a convivência sem que isso signifique formar um batalhão de obedientes. Igualmente, podemos ensinar a elas que podem e devem sentir orgulho de si mesmas por conseguir ter controle sobre seus atos.As crianças sofrem quando não conseguem dominar seus impulsos violentos e de momento. Para que tenham êxito no árduo aprendizado do autocontrole, precisam de nós, adultos, agindo como tal. Elas também sofrem quando se afogam no mar da insegurança que as impede de se esforçarem para aprender. Também nesse momento precisam de nosso apoio e encorajamento.As crianças precisam contar conosco para transformar em ato seu potencial.
Categoria: Folha Equilíbrio
Escrito por Rosely Sayão às 12h16
Categoria: Folha Equilíbrio
Escrito por Rosely Sayão às 12h16
segunda-feira, 5 de abril de 2010
Rede Social é uma das formas de representação dos relacionamentos afetivos ou profissionais dos seres entre si ou entre seus agrupamentos de interesses mútuos. A rede é responsável pelo compartilhamento de idéias entre pessoas que possuem interesses e objetivo em comum e também valores a serem compartilhados. Assim, um grupo de discussão é composto por indivíduos que possuem identidades semelhantes. Essas redes sociais estão hoje instaladas principalmente na Internet devido ao fato desta possibilitar uma aceleração e ampla maneira das idéias serem divulgadas e da absorção de novos elementos em busca de algo em comum.
Segundo Fritjof Capra, "redes sociais são redes de comunicação que envolvem a linguagem simbólica, os limites culturais e as relações de poder". São também consideradas como uma medida de política social que reconhece e incentiva a atuação das redes de solidariedade local no combate à pobreza e à exclusão social e na promoção do desenvolvimento local. As redes sociais são capazes de expressar idéias políticas e econômicas inovadoras com o surgimento de novos valores, pensamentos e atitudes. Esse segmento que proporciona a ampla informação a ser compartilhada por todos, sem canais reservados e fornecendo a formação de uma cultura de participação, é possível, graças ao desenvolvimento das tecnologias de comunicação e da informação, à globalização, à evolução da cidadania, à evolução do conhecimento científico sobre a vida etc. as redes unem os indivíduos organizando-os de forma igualitária e democrática e em relação aos objetivos que eles possuem em comum.
Segundo Fritjof Capra, "redes sociais são redes de comunicação que envolvem a linguagem simbólica, os limites culturais e as relações de poder". São também consideradas como uma medida de política social que reconhece e incentiva a atuação das redes de solidariedade local no combate à pobreza e à exclusão social e na promoção do desenvolvimento local. As redes sociais são capazes de expressar idéias políticas e econômicas inovadoras com o surgimento de novos valores, pensamentos e atitudes. Esse segmento que proporciona a ampla informação a ser compartilhada por todos, sem canais reservados e fornecendo a formação de uma cultura de participação, é possível, graças ao desenvolvimento das tecnologias de comunicação e da informação, à globalização, à evolução da cidadania, à evolução do conhecimento científico sobre a vida etc. as redes unem os indivíduos organizando-os de forma igualitária e democrática e em relação aos objetivos que eles possuem em comum.
O que é: Rede social
Do G1, em São Paulo
Relação estabelecida entre indivíduos com interesses em comum em um mesmo ambiente. Na internet, as redes sociais são as comunidades online como Orkut , Facebook e MySpace, em que internautas se comunicam, criam comunidades e compartilham informações e interesses semelhantes.
Do G1, em São Paulo
Relação estabelecida entre indivíduos com interesses em comum em um mesmo ambiente. Na internet, as redes sociais são as comunidades online como Orkut , Facebook e MySpace, em que internautas se comunicam, criam comunidades e compartilham informações e interesses semelhantes.
segunda-feira, 29 de março de 2010
Educação Infantil no Brasil: cem anos de espera (Revista Nova Escola) Março 2010
A biblioteca do escritor e professor Mário de Andrade, na segunda metade da década de 1930, guardava uma coleção que pareceria estranha para quem visitasse a casa do intelectual das letras naquela época: um acervo com mais de mil desenhos produzidos por crianças.O educador começou a coleção quando foi responsável pela criação de parques infantis na cidade de São Paulo em 1935, ocasião em que ocupou o cargo de chefe do Departamento de Cultura da prefeitura da capital paulista. Neles, o escritor promovia concursos de desenhos e incentivava outras atividades artísticas entre os pequenos. Mário de Andrade foi um dos primeiros pensadores da Educação Infantil no país a acreditar na valorização das produções das crianças e a colocar a atividade artística como um dos fundamentos desse segmento, explica a professora da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), Márcia Gobbi. Apesar do interesse e esforço isolados de educadores como Mário de Andrade, a Educação Infantil levou muito tempo para se desvencilhar do caráter que a pontuou desde o início: a assistência social. Essa demora foi de quase um século o primeiro jardim da infância foi inaugurado em 1895, em São Paulo. Mudanças estruturais começaram somente na década de 1970, quando o processo de urbanização e a inserção da mulher no mercado de trabalho levaram a um aumento significativo na demanda por vagas em escolas para as crianças de 0 a 6 anos. Como não havia políticas bem definidas para o segmento, a expansão de instituições de Educação Infantil nessa época foi desordenada e gerou precarização no atendimento, feito, em geral, por profissionais sem nenhuma formação pedagógica. Em 1975, o Ministério da Educação começou a assumir responsabilidades ao criar a Coordenação de Educação Pré-Escolar para atendimento de crianças de 4 a 6 anos. Ainda assim, o governo continuou promovendo, em paralelo, políticas públicas descoladas da Educação. Em 1977, foi criada, no Ministério da Previdência e Assistência Social, a Legião Brasileira de Assistência (LBA), com o objetivo de coordenar o serviço de diversas instituições independentes que historicamente eram responsáveis pelo atendimento às crianças de 0 a 6 anos. Essas instituições eram divididas em: comunitárias, localizadas e mantidas por associações e agremiações de bairros; confessionais, mantidas por instituições religiosas; e filantrópicas, relacionadas a organizações beneficentes. A LBA foi extinta em 1995, mas o Governo Federal continuou a repassar recursos para as creches por meio da assistência social. Nesse mesmo período, se intensificou uma separação entre o atendimento nas creches, de 0 a 3 anos, visto como algo destinado às camadas populares, e a pré-escola, segmento voltado para as classes média e alta. Essa é uma separação que funda a Educação Infantil no país. As creches, totalmente financiadas pela assistência social, eram vistas como uma alternativa de subsistência para crianças mais pobres e estavam orientadas para cuidados em relação à saúde, higiene e alimentação. Já a pré-escola passou a ser encarada como a porta de entrada das crianças ricas na Educação, analisa a ex-coordenadora de Educação Infantil do MEC, Karina Rizek.
Direito da criança, dever do EstadoO marco que rompeu essa tradição no país foi a Constituição de 1988, que determinou a Educação Infantil como dever do Estado brasileiro. Foi a partir daí que a Educação na creche e na pré-escola passou a ser vista como um direito da criança, facultativo à família, e não como direito apenas da mãe trabalhadora. Com isso, os profissionais de Educação Infantil ganharam mais legitimidade e a Educação Infantil passou a ser objeto de planejamento, legislação e de políticas sociais e educacionais, explica a coordenadora pedagógica da Fundação Victor Civita, Regina Scarpa. Dois anos depois, em 1990, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) reafirmou os direitos constitucionais em relação à Educação Infantil. Em 1994, o MEC publicou o documento Política Nacional de Educação Infantil que estabeleceu metas como a expansão de vagas e políticas de melhoria da qualidade no atendimento às crianças, entre elas a necessidade de qualificação dos profissionais, que resultou no documento Por uma política de formação do profissional de Educação Infantil.Em 1996, com a promulgação da Emenda Constitucional que cria a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), a Educação Infantil passou a ser a primeira etapa da Educação Básica, integrando-se aos ensinos Fundamental e Médio. Só então a Educação Infantil ganhou uma dimensão mais ampla dentro do sistema educacional e a criança foi vista como alguém capaz de criar e estabelecer relações, um ser sócio-histórico, produtor de cultura e inserido nela e que, portanto, não precisa apenas de cuidado, mas está preparado para a Educação, diz Beatriz Ferraz, coordenadora pedagógica do Centro de Educação e Documentação para Ação Comunitária (CEDAC), em São Paulo. O artigo 62 da LDB foi pioneiro ao estabelecer a necessidade de formação para o profissional da Educação Infantil. Segundo a lei, a formação do educador desse segmento deve ser em nível superior, admitindo-se, como formação mínima, a oferecida em nível médio, na modalidade Normal. O texto reafirma, também, a responsabilidade constitucional dos municípios na oferta de Educação Infantil, contando com a assistência técnica e financeira da União e dos estados. Com o objetivo de oferecer parâmetros para a manutenção e a criação de novas instituições de Educação Infantil, o MEC publicou, em 1998, o documento Subsídios para credenciamento e o funcionamento das instituições de Educação Infantil. No mesmo ano, visando a elaboração de currículos de Educação Infantil, cuja responsabilidade foi delegada pela LDB a cada instituição e seus professores, o ministério editou o Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil, como parte dos Parâmetros Curriculares Nacionais. Um ano depois, em 1999, o Conselho Nacional de Educação (CNE) publicou as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil. Esses documentos são, hoje, os principais instrumentos para elaboração e avaliação das propostas pedagógicas das instituições de Educação Infantil do país.
Direito da criança, dever do EstadoO marco que rompeu essa tradição no país foi a Constituição de 1988, que determinou a Educação Infantil como dever do Estado brasileiro. Foi a partir daí que a Educação na creche e na pré-escola passou a ser vista como um direito da criança, facultativo à família, e não como direito apenas da mãe trabalhadora. Com isso, os profissionais de Educação Infantil ganharam mais legitimidade e a Educação Infantil passou a ser objeto de planejamento, legislação e de políticas sociais e educacionais, explica a coordenadora pedagógica da Fundação Victor Civita, Regina Scarpa. Dois anos depois, em 1990, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) reafirmou os direitos constitucionais em relação à Educação Infantil. Em 1994, o MEC publicou o documento Política Nacional de Educação Infantil que estabeleceu metas como a expansão de vagas e políticas de melhoria da qualidade no atendimento às crianças, entre elas a necessidade de qualificação dos profissionais, que resultou no documento Por uma política de formação do profissional de Educação Infantil.Em 1996, com a promulgação da Emenda Constitucional que cria a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), a Educação Infantil passou a ser a primeira etapa da Educação Básica, integrando-se aos ensinos Fundamental e Médio. Só então a Educação Infantil ganhou uma dimensão mais ampla dentro do sistema educacional e a criança foi vista como alguém capaz de criar e estabelecer relações, um ser sócio-histórico, produtor de cultura e inserido nela e que, portanto, não precisa apenas de cuidado, mas está preparado para a Educação, diz Beatriz Ferraz, coordenadora pedagógica do Centro de Educação e Documentação para Ação Comunitária (CEDAC), em São Paulo. O artigo 62 da LDB foi pioneiro ao estabelecer a necessidade de formação para o profissional da Educação Infantil. Segundo a lei, a formação do educador desse segmento deve ser em nível superior, admitindo-se, como formação mínima, a oferecida em nível médio, na modalidade Normal. O texto reafirma, também, a responsabilidade constitucional dos municípios na oferta de Educação Infantil, contando com a assistência técnica e financeira da União e dos estados. Com o objetivo de oferecer parâmetros para a manutenção e a criação de novas instituições de Educação Infantil, o MEC publicou, em 1998, o documento Subsídios para credenciamento e o funcionamento das instituições de Educação Infantil. No mesmo ano, visando a elaboração de currículos de Educação Infantil, cuja responsabilidade foi delegada pela LDB a cada instituição e seus professores, o ministério editou o Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil, como parte dos Parâmetros Curriculares Nacionais. Um ano depois, em 1999, o Conselho Nacional de Educação (CNE) publicou as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil. Esses documentos são, hoje, os principais instrumentos para elaboração e avaliação das propostas pedagógicas das instituições de Educação Infantil do país.
sábado, 27 de março de 2010
2.
Era uma vez um vampiro
tão bem-educado, mas tão bem-educado,
que toda vez que sugava
o sangue de uma pessoa
não esquecia de dizer: “Muito obrigado”.
3.
Certa noite eu sonhei
Que embaixo da cama havia um monstro medonho.
Acordei assustado
e fui olhar: de fato,
embaixo da cama estava um monstro medonho.
Ele me viu, sorriu
e me disse, gentil:
“Durma! Sou apenas o monstro dos seus sonhos.”
4.
Aquele fantasma que assombrava
um belo castelo,
Mas vivia sempre sujo e desleixado,
foi rebaixado,
por causa disso,
a assombração de depósito de lixo.
Era uma vez um vampiro
tão bem-educado, mas tão bem-educado,
que toda vez que sugava
o sangue de uma pessoa
não esquecia de dizer: “Muito obrigado”.
3.
Certa noite eu sonhei
Que embaixo da cama havia um monstro medonho.
Acordei assustado
e fui olhar: de fato,
embaixo da cama estava um monstro medonho.
Ele me viu, sorriu
e me disse, gentil:
“Durma! Sou apenas o monstro dos seus sonhos.”
4.
Aquele fantasma que assombrava
um belo castelo,
Mas vivia sempre sujo e desleixado,
foi rebaixado,
por causa disso,
a assombração de depósito de lixo.
poesia infantil de José Paulo Paes
HISTORINHAS DE HORROR
Por ter sido criado em laboratório,
Frankenstein não teve mãe.
Isso lhe dava complexo,
especialmente no dia das mães.
Nesse dia, voltou ao laboratório
e pediu uma mãe biônica
Quando a viu pronta, ficou tão encantado
e a abraçou com tanto amor
que a sufocou. Antes de morrer, a mãe
disse ainda, num suspiro:
“Como é doido...
Ser mãe...
De Frankenstein...”
Por ter sido criado em laboratório,
Frankenstein não teve mãe.
Isso lhe dava complexo,
especialmente no dia das mães.
Nesse dia, voltou ao laboratório
e pediu uma mãe biônica
Quando a viu pronta, ficou tão encantado
e a abraçou com tanto amor
que a sufocou. Antes de morrer, a mãe
disse ainda, num suspiro:
“Como é doido...
Ser mãe...
De Frankenstein...”
terça-feira, 16 de março de 2010
Guimarães Rosa
"... o importante e bonito do mundo é isso, que as pessoas não estão terminadas, mas elas vão sempre mudando. Afinam e desafinam."
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